Família

DUDU

Então você se vê embolada na maternidade, tentando encontrar a sua identidade por debaixo dos brinquedos espalhados pelo chão da casa e dos bodies no cesto de roupa suja. Mas em contrapartida você também não abre mão dos momentos e dos cuidados com o bebê.


A ansiedade e a culpa, essas duas mui amigas, te aconselham a abraçar o mundo.


Então, naquela semana você decide sair para caminhar/correr com o bebê no carrinho, vai ao dermatologista com o objetivo de tratar a devastadora queda de cabelo que aconteceu durante a amamentação, e a pele que precisa de uma atenção em função dos melasmas. Ah, e na mesma semana você também cisma em mudar a alimentação e a desengavetar aquele projeto que mora no seu coração.


Só que na semana seguinte abraçar o mundo, com esse tanto de objetivos -juntos-, parece impraticável. O resultado é frustração por deixar as coisas que você se propôs a fazer espalhadas pelo caminho. Então vem o desânimo e a sensação de derrota.


Você acaba concluindo que: olha aí, eu até tentei, mas não rola resgatar a minha identidade. Por fim você acredita que o melhor mesmo é seguir com ela escondida entre os brinquedos e as roupinhas sujas do bebê. Não é assim que acontece?


E é exatamente por isso que eu te escrevo. Para te dizer que os passos que te levam ao encontro com a sua identidade são lentos. Leio de novo: LENTOS. É fundamental ir com calma, bem devagarinho para você seguir caminhando sempre. Para você não precisar parar de forma abrupta e ter que retornar para o ponto de partida. Para você conseguir apreciar a vista. Também gostaria de dizer que você dficilmente conseguirá caminhar se não pegar um objetivo de cada vez. Se não fizer renúnciaS. Se não souber abrir mão de algumas coisas.

Sim, para reencontrar e abraçar bem apertado a sua identidade você terá que colocar em ação o delegar e o desencanar. Vai ter que saber entregar e soltar.


Pequenas vitórias ao longo do tempo costumam ser mais consistentes do que conquistas megalomaníacas a curto prazo.


Não esquece: um passo de cada vez. Devagar e sempre.


Texto: @maeforadacaixa