Gestante

GUILHERME

Sem sombra de dúvidas, um dia eu quero me tornar desnecessária para os meus filhos.

Tem gente que acha que a palavra desnecessária não casa com maternidade. Me falaram até em desamor quando toquei nesse assunto uma outra vez. Mas tenho para mim que é o inverso.


Querer ser desnecessária é amor, o mais genuíno de todos. É livre como o amor deve ser.

Não é fácil achar a medida. A gente aprende ao longo do caminho a dosar. É todo dia tirar a superproteção daqui e jogar lá pra longe. É todo o santo dia afastar o sentimento de posse para entregar os filhos aos pouquinhos para o mundo.


É largar a roupa suja no chão quando você já falou para colocar no cesto, é deixar ir dormir na casa do amigo e ensinar a arrumar a cama. É ensinar a pedir pelo que quer comer no restaurante. É dar o dinheiro e ficar observando de longe o filho comprar o próprio sorvete na praia. É incentivar na profissão que ele tem vontade de fazer mesmo sabendo que para cursar ele vai ter que morar bem longe.


É dosagem exata que não causa dependência nos filhos lá na frente. Dá alicerce para as pernas serem fortes o suficiente para caminharem sozinhas. Medida que faz com que o coração deles seja abastecido de autoconfiança e bons exemplos.


Não tem nada a ver com não estar de braços e ouvidos abertos quando os filhos forem adultos. Muito pelo contrário, é ser o melhor abraço, a melhor escuta. Mas não viver a vida em função da vida deles.


É ver a independência do filho sendo adquirida ao longo dos anos e ter certeza que fez um bom trabalho. É aceitar o mais natural para a vida, mas ao mesmo tempo o mais difícil para uma mãe: que não somos eternas.


Texto: @maeforadacaixa