Imagem capa - O PRIMEIRO SETÊNIO por Marcela Rosa
EDUCAÇÃOCRIAÇÃO

O PRIMEIRO SETÊNIO

Quem me conhece sabe que sou apaixonaaaaada por esse mundo do desenvolvimento infantil. Acho mágico mesmo!!! Eu me surpreendo o quanto a natureza consegue ser tão perfeita! E existem muitas metodologias de ensino que ganham o meu coração nesse sentido: Waldorf, Montessori, Reggio Emilia e Charlotte Manson, por exemplo. Cada uma delas tem algo que me encanta de alguma maneira. Porém, a Waldorf se faz muuuito muito presente em nossa vida, já que nossos pequenos estudam em uma escola assim. E a cada ano que se passa, a cada nova fase, mais amor eu tenho e mais feliz eu me sinto por poder oferecer esse tipo de desenvolvimento (principalmente humano!) pra eles! Já explicamos aqui o que é a Pedagogia Waldorf, para quem não conhece.


A Antroposofia trabalha com as fases do desenvolvimento humano e suas características próprias que são chamados Setênios: cada sete anos o ser humano passa por transformações físicas, emocionais e psíquicas.


Convidamos Adriana Mourão, gestora da Colméia Jardim e Escola (a primeira escola Waldorf que acolheu nossos pequenos) e professora Waldorf, para falar um pouco sobre esse Primeiro Setênio!






O Primeiro Setênio vai dos zero aos sete anos de idade


A criança que acabou de nascer começa a conhecer e apreender tudo o que está relacionado com o mundo. É o primeiro contato com o ela mesma, com o mundo e com o outro. Esse contato passa pela percepção e domínio do próprio corpo - que é sua base, a morada de tudo o que será desenvolvido nos âmbitos mais complexos futuros. Por isso uma atenção muito especial é dada a este momento na Pedagogia Waldorf.



MOVIMENTO


No primeiro setênio, a criança tem como principal tarefa o desenvolvimento do corpo. Estamos falando de equilíbrio, tônus muscular, coordenação motora global e fina, lateralidade, além das sinapses cerebrais que acontecem em profusão neste período. Todas estas conquistas dependem de MOVIMENTO! Portanto, deixar a criança livre para BRINCAR é criar condições de desenvolvimento saudável. Ela emprega todas as suas forças nesse treino constante de forma incansável.


Na criança pequena, tudo está relacionado ao corpo e à sua formação. Suas capacidades anímicas (sentir e querer) estão tão integradas que seu agir é puro impulso, sua consciência ainda é bastante pequena e sua vontade muito forte. Ao se movimentar, brincar e experimentar o mundo através de seus sentidos, ela vai, pouco a pouco adquirindo habilidades e destreza, se colocando mais firmemente no mundo e este movimento acontece de dentro para fora. Isto quer dizer que quanto menos interferência houver por parte do adulto, melhor.


Cabe ao adulto proporcionar possibilidades de brincadeiras na natureza, com terra, água, madeira, sementes. Lugares com pequenos morros para as crianças subirem e descerem, escorregarem e pularem. Árvores para subir, tocos e pneus para empilhar, rolar; pés de lata, pular corda, poça d’água e amarelinha. Brincar de roda, chicotinho queimado e corrupio. Quanta brincadeira gostosa que precisa ser resgatada e valorizada para que a infância seja um tempo e lugar de aprendizados e experiências vivas!





IMITAÇÃO


Todos os sentidos da criança pequena estão muito abertos e ela responde aos estímulos externos, sem filtros. Assim, o que ela recebe do mundo se incorpora rapidamente à sua constituição orgânica, seja bom ou ruim. Por isso todo cuidado é dispensado ao ambiente nas Escolas Waldorf. Salas aconchegantes e calorosas, sons suave, brinquedos que possibilitam experiências sensórias ricas. 


O ambiente anímico também precisa de cuidado, pois a criança IMITA tudo o que vê e ouve. O adulto, em contato direto com a criança precisa ter essa consciência e fazer um trabalho de autoeducação para se tornar digno de ser imitado em seus gestos, falas e até pensamentos. As influências vindas do meio ambiente exercem efeitos profundos em sua organização física e psíquica para toda a vida.


Conforme observa Lievegoed, “é pela imitação que ela aprende as coisas, adequadas ou impróprias, que constituem o comportamento humano. É por uma imitação mais sutil que ela cria o fundamento para sua moralidade futura”.


Na sala de aula Waldorf não tem sons eletrônicos, todos os sons que permeiam o ambiente são humanos ou de instrumentos acústicos suaves. TV, CDs, ou quaisquer outros meios de “animação” infantil, são muito fortes para o pequeno ouvidinho que está se formando, ou para a linguagem que deveria imitar palavras bonitas e cuidadosamente escolhidas; ou ainda para os olhinhos que estão exercitando os músculos e aprendendo a focar e conhecer o mundo. Assim também se cuida das cores das paredes que são tons pastel e sem excesso de estímulos visuais. O tom de voz da professora é baixo e melodioso. Nenhuma atitude brusca tem lugar nesse espaço. Os cheiros gostosos de pães e biscoitos assando, ou de frutas sendo descascadas e espremidas para o suco, são um convite ao despertar do apetite no preparo do lanche. O chá colhido na horta esquenta as tardes e manhãs frias de inverno. As cantigas entoadas pela professora na condução das atividades enchem o ambiente de doçura. O dia passa num movimento de contração e expansão, num grande respirar que marca o ritmo de forma orgânica e suave.



RITMO


A natureza é rítmica, tem seus ciclos nas estações do ano, nas fases da lua, nas altas e baixas das marés, no pulsar dos dias e noites e também o pequeno ritmo das horas do dia. Temos uma confiança enorme na natureza sabendo que ao dormir, inevitavelmente o dia virá e acordaremos sob a luz do sol. Que a cada estação fria passada, o sol virá novamente aquecer a Terra. Assim, o ritmo cria confiança, estabilidade, planejamento e estrutura.


Nosso corpo também segue ritmos vitais como as batidas do coração através da circulação sanguínea, ou dos pulmões que contraem e expandem inspirando e expirando o ar, no sono que nos revigora a cada noite e nos prepara para a vigília do dia, e muitos outros que nem temos consciência. Assim, trazer o ritmo para a vida da criança é questão de saúde. Horários estabelecidos para uma rotina de banho, alimentação, sono e brincadeiras trazem segurança. A constância do ritmo nas atividades do dia faz com que as coisas aconteçam de forma orgânica e sem desgastes. 


Na escola o ritmo é vivenciado desde o grande ritmo anual das estações nas festas escolares, passando pelo ritmo mensal nas rodas apresentadas pela professora e mesas de época, o ritmo semanal marcado pelas atividades de cada dia e finalmente o ritmo diário com seus momentos de contração e expansão. 


Tudo isso ajuda a criança a se inserir aos poucos no tempo e no espaço de forma encantadora e participativa. 



VENERAÇÃO


O ritmo acaba trazendo com ele um grande respeito pela natureza e uma veneração pelo que não vemos de forma tão concreta, mas que sentimos a cada ritual de passagem. Seja no agradecimento diário pelo alimento recebido, no encantamento que as histórias contam sobre pessoas, animais e plantas (reinos da natureza), com a vela que se acende ou até mesmo pelo cuidado com a sala e os brinquedos que são guardados ao final das brincadeiras fazendo com que a harmonia se instale novamente. Essa veneração será metamorfoseada, na idade adulta, em gratidão!





O MUNDO É BOM!


Steiner fala que toda criança pequena deveria sentir que o mundo é bom! Este sentimento cria nela uma reserva de bondade capaz de fortalecê-la para toda sua vida futura. Um mundo bom para a criança do primeiro setênio é poder sentir ao seu redor todos esses cuidados.


 “O sublime e grandioso na contemplação das crianças é o fato de que estas acreditam na moral do mundo, acreditando com isso que se possa imitar o mundo.” (Rudolf Steiner)



Criar filhos é uma arte. E eles vão querer saber como você fez isso.
Vamos registrar essa fase de vida que você está vivendo?

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